Grupo A
Tabela e jogos
Classificação
| Seleção | P | J | V | E | D | GP | GC | SG | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | México | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| 2 | África do Sul | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| 3 | Coreia do Sul | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| 4 | Tchéquia | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
Grupo A · MD1
Grupo A · MD2
Grupo A · MD3
México
Convocados
| Nome | Posição | Idade | Altura | Clube |
|---|---|---|---|---|
| Carlos Acevedo | GOL | 30 | 1,84 m | Santos Laguna (México) |
| Guillermo Ochoa | GOL | 40 | 1,85 m | AEL Limassol (Chipre) |
| Raúl Rangel | GOL | 26 | 1,90 m | Chivas (México) |
| César Montes | DEF | 29 | 1,95 m | Lokomotiv Moscou (Rússia) |
| Israel Reyes | DEF | 25 | 1,80 m | América (México) |
| Jesús Gallardo | DEF | 31 | 1,78 m | Toluca (México) |
| Johan Vásquez | DEF | 27 | 1,84 m | Genoa (Itália) |
| Jorge Sánchez | DEF | 28 | 1,75 m | PAOK (Grécia) |
| Mateo Chávez | DEF | 22 | 1,77 m | AZ Alkmaar (Holanda) |
| Álvaro Fidalgo | MEI | 29 | 1,74 m | Real Betis (Espanha) |
| Brian Gutiérrez | MEI | 22 | 1,78 m | Chivas (México) |
| Edson Álvarez | MEI | 28 | 1,87 m | Fenerbahçe (Turquia) |
| Erik Lira | MEI | 26 | 1,72 m | Cruz Azul (México) |
| Gilberto Mora | MEI | 17 | 1,68 m | Tijuana (México) |
| Luis Chávez | MEI | 30 | 1,78 m | Dinamo Moscou (Rússia) |
| Luis Romo | MEI | 30 | 1,82 m | Chivas (México) |
| Obed Vargas | MEI | 20 | 1,75 m | Atlético de Madrid (Espanha) |
| Orbelín Pineda | MEI | 30 | 1,69 m | AEK Atenas (Grécia) |
| Alexis Vega | ATA | 28 | 1,74 m | Toluca (México) |
| Armando González | ATA | 23 | 1,79 m | Chivas (México) |
| César Huerta | ATA | 25 | 1,71 m | Anderlecht (Bélgica) |
| Guillermo Martínez | ATA | 31 | 1,90 m | Pumas (México) |
| Julián Quiñones | ATA | 29 | 1,80 m | Al-Qadisiyah (Arábia Saudita) |
| Raúl Jiménez | ATA | 35 | 1,87 m | Fulham (Inglaterra) |
| Roberto Alvarado | ATA | 27 | 1,76 m | Chivas (México) |
| Santiago Giménez | ATA | 25 | 1,83 m | AC Milan (Itália) |
Toque em uma cor para ver o país
Time-base
4-3-3
Os Mantos
Raio-X
O México chega à Copa do Mundo de 2026 como anfitrião pela terceira vez, uma marca que nenhum outro país alcançou na história do torneio. Em 1970 e 1986, jogando em casa, El Tri foi até as quartas de final — campanhas que ainda funcionam como teto, memória e incômodo. Quarenta anos depois da Copa de Maradona, o país volta ao centro do futebol mundial com uma mistura muito mexicana de euforia, cobrança e ansiedade. Porque, no México, jogar em casa não é apenas uma vantagem. É um julgamento com estádio lotado.
O Estádio Azteca — hoje também rebatizado comercialmente como Estadio Banorte e tratado pela FIFA como Estádio Cidade do México — será o palco da estreia contra a África do Sul. Poucos lugares no futebol carregam tanta mitologia: ali Pelé ergueu o tri em 1970, Maradona virou personagem bíblico em 1986 e agora a seleção mexicana tentará transformar altitude, história e arquibancada em combustível. O problema é que o Azteca intimida rivais, mas também amplifica frustrações. Cada passe errado ali parece ecoar por décadas.
A Copa de 2026 encontra o México em um ponto delicado. A seleção não chega esfacelada, mas também não chega em lua de mel com sua torcida. Desde 1994, o país se acostumou a uma rotina cruel: passar da fase de grupos e cair nas oitavas. O famoso “quinto partido” virou obsessão nacional, quase uma entidade própria. Em 2022, o golpe foi ainda pior: eliminação ainda na primeira fase, encerrando uma sequência de sete Mundiais consecutivos no mata-mata. Por isso, 2026 não é apenas sobre avançar. É sobre quebrar uma trava psicológica que já atravessou gerações.
Javier Aguirre voltou para administrar esse incêndio com a serenidade de quem já viu a casa pegar fogo antes. El Vasco foi chamado em 2024 depois da queda de Jaime Lozano, com Rafa Márquez ao lado como auxiliar e possível herdeiro do projeto. A escolha disse muito sobre o momento mexicano: menos aposta em revolução, mais busca por estabilidade. Aguirre não chegou para vender futebol de laboratório, mas para recolocar ordem em um ambiente que costuma transformar cada convocação, cada empate e cada entrevista em crise nacional.
O elenco tem nomes capazes de sustentar uma campanha competitiva, mas também carrega interrogações demais para qualquer oba-oba. Edson Álvarez é o eixo emocional e defensivo da equipe: quando está inteiro, o México ganha liderança, combate e senso de proteção. Raúl Jiménez oferece experiência, jogo de costas e presença de área. Santiago Giménez segue como a grande cobrança ofensiva: tem currículo europeu, tem expectativa, mas ainda precisa transformar promessa em impacto constante pela seleção. Johan Vásquez e César Montes dão peso à defesa, enquanto Raúl Rangel aparece como candidato real a assumir o gol em um momento de transição.
Há ainda uma disputa interessante por identidade no meio e no ataque. Álvaro Fidalgo, espanhol naturalizado mexicano, entrou no radar e virou assunto imediato — porque no México futebol e pertencimento raramente caminham separados. Obed Vargas, Brian Gutiérrez, Erik Lira e outros nomes representam uma tentativa de renovar energia em um setor que precisa correr, marcar e criar sem depender apenas de veteranos. Na frente, Julián Quiñones, Roberto Alvarado, Alexis Vega, Germán Berterame, Armando González e Guillermo Martínez ampliam o cardápio, embora ainda falte ao time uma receita ofensiva plenamente confiável.
Essa talvez seja a grande angústia mexicana: há peças, mas nem sempre há fluidez. O México consegue competir, consegue pressionar em momentos específicos, consegue defender com dignidade contra adversários fortes. Mas transformar posse em perigo constante segue sendo uma tarefa irregular. Contra Portugal, o empate sem gols na reabertura do Azteca mostrou uma equipe organizada, mas pouco inspirada. Contra a Bélgica, o 1 a 1 em Chicago trouxe reação melhor e mais personalidade. Ainda assim, o torcedor mexicano conhece bem esse filme: bons sinais em amistosos não pagam dívida em Copa.
Também pesa o momento físico de algumas peças centrais. Luis Malagón, que vinha como nome forte no gol, sofreu grave lesão e ficou fora da corrida. Edson Álvarez passou por cirurgia no tornozelo. Marcel Ruiz e Luis Chávez também chegaram ao ano mundialista cercados de cuidados físicos. Ao mesmo tempo, Guillermo Ochoa reaparece como personagem de novela interminável. Aos 40 anos, mira uma sexta Copa e representa tudo o que o México ama e teme em si mesmo: memória, heroísmo, dependência do passado e dificuldade de virar completamente a página.
O Grupo A parece administrável, mas não é um convite para soberba. África do Sul, Coreia do Sul e República Tcheca não formam um grupo impossível, porém todos oferecem algum tipo de desconforto. A África do Sul entra sem o peso mexicano, a Coreia do Sul tem velocidade e hábito de Copa, e os tchecos trazem força física e tradição europeia. Para o México, o primeiro tropeço pode virar terremoto emocional. Em uma Copa em casa, a tabela nunca é apenas tabela. É termômetro nacional.
O México de 2026 vive entre o orgulho e o medo. Tem casa, camisa, torcida, técnico experiente e jogadores acostumados a grandes centros. Mas tem também cicatrizes recentes, pouca paciência pública e uma relação quase doentia com a ideia de finalmente chegar ao quinto jogo. A Copa pode ser libertação. Também pode ser espelho. E o espelho, às vezes, é mais cruel do que qualquer adversário.
No fim, El Tri não quer apenas organizar a festa. Quer parar de ser o anfitrião simpático, o competidor digno, o personagem eliminado na mesma página do roteiro. Quer mudar de capítulo. Resta saber se terá futebol — e nervos — para isso.
O Professor
Curiosidades
Edson Álvarez (West Ham) e Santiago Giménez (Milan) ficaram fora da última convocação por lesão/decisão de clube, mas são peças-chave para a lista final do Mundial.
Luis Malagón, que vinha sendo o goleiro titular durante o ciclo, rompeu o tendão de Aquiles e está fora do Mundial.
O substituto deve ser... ele mesmo: Guillermo Ocha, o imorrível, que vem para sua sexta Copa do Mundo, quando se juntará a Messi e Cristiano Ronaldo como recordista de participações. Desta vez, entretanto, ele deve ser reserva de Raúl Rangel.
África do Sul
Convocados
| Nome | Posição | Idade | Altura | Clube |
|---|---|---|---|---|
| Ronwen Williams | GOL | 34 | 1,84 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Ricardo Goss | GOL | 32 | 1,81 m | Siwelele FC (África do Sul) |
| Sipho Chaine | GOL | 29 | 1,80 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Khuliso Mudau | DEF | 31 | 1,81 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Olwethu Makhanya | DEF | 22 | 1,88 m | Philadelphia Union (Estados Unidos) |
| Bradley Cross | DEF | 25 | 1,83 m | Kaizer Chiefs (África do Sul) |
| Thabang Matuludi | DEF | 26 | 1,70 m | Polokwane City (África do Sul) |
| Nkosinathi Sibisi | DEF | 30 | 1,84 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Aubrey Modiba | DEF | 30 | 1,67 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Khulumani Ndamane | DEF | 22 | 1,88 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Ime Okon | DEF | 22 | 1,88 m | Hannover 96 (Alemanha) |
| Kamogelo Sebelebele | DEF | 26 | 1,74 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Samukele Kabini | DEF | 22 | 1,78 m | Molde FK (Noruega) |
| Mbekezeli Mbokazi | DEF | 20 | 1,86 m | Chicago Fire (Estados Unidos) |
| Teboho Mokoena | MEI | 29 | 1,76 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Jayden Adams | MEI | 25 | 1,76 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Thalente Mbatha | MEI | 26 | 1,75 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Sphephelo Sithole | MEI | 27 | 1,86 m | CD Tondela (Portugal) |
| Oswin Appollis | ATA | 24 | 1,72 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Tshepang Moremi | ATA | 25 | 1,70 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Evidence Makgopa | ATA | 25 | 1,88 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Lyle Foster | ATA | 25 | 1,85 m | Burnley (Inglaterra) |
| Iqraam Rayners | ATA | 30 | 1,76 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Relebohile Mofokeng | ATA | 21 | 1,66 m | Orlando Pirates (África do Sul) |
| Themba Zwane | ATA | 36 | 1,70 m | Mamelodi Sundowns (África do Sul) |
| Thapelo Maseko | ATA | 23 | 1,70 m | AEL Limassol (Chipre) |
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Time-base
4-3-3
Os Mantos
Raio-X
A África do Sul volta à Copa do Mundo pela primeira vez desde 2010, quando recebeu o torneio, apresentou ao mundo o som das vuvuzelas, viu Siphiwe Tshabalala marcar um dos gols de abertura mais icônicos da história recente e, alguns dias depois, virou também a primeira anfitriã eliminada na fase de grupos. Para a sorte dela o Catar apareceu ano passado e deixou de ser a única com essa marca negativa. Foi uma Copa inesquecível para o país e cruel para a seleção. Dezesseis anos depois, os Bafana Bafana retornam ao palco mundial com outro tipo de bagagem: menos fantasia, mais método; menos espetáculo turístico, mais futebol de sobrevivência.
Esta será a quarta participação sul-africana em Copas, depois de 1998, 2002 e 2010. O melhor desempenho, curiosamente, não veio em casa, mas em 2002, quando a seleção terminou em 17º lugar, muito perto de avançar às oitavas. A FIFA ainda trata aquela campanha como o ponto mais alto do país no Mundial. Em 2026, a missão é simples de explicar e difícil de executar: vencer o passado. Não o passado glorioso — esse é curto —, mas o passado das quase classificações, das promessas quebradas e da sensação de que o futebol sul-africano sempre teve mais matéria-prima do que produto final.
O apelido Bafana Bafana significa algo próximo de “os meninos, os meninos”, em zulu. Nasceu nos anos 1990, quando a seleção voltava ao cenário internacional após o isolamento do apartheid, e carrega até hoje uma ternura popular que contrasta com a cobrança sobre o time. A África do Sul é um país que entende bem o poder simbólico do esporte — basta olhar para o rugby —, mas o futebol, apesar de sua imensa popularidade, viveu por muito tempo entre explosões de emoção e períodos de frustração. A classificação para 2026 reacendeu uma chama que parecia guardada na gaveta desde o grito de Tshabalala.
A campanha nas Eliminatórias teve de tudo: bons resultados, tensão, punição e final dramático. A África do Sul terminou líder do Grupo C mesmo depois de perder três pontos por escalar Teboho Mokoena de forma irregular em um jogo contra Lesoto. A vaga foi confirmada com vitória por 3 a 0 sobre Ruanda, em Mbombela, enquanto a Nigéria atropelava Benin e ajudava a reorganizar a tabela. Poucas seleções chegam à Copa com uma classificação tão sul-africana: erro administrativo, susto coletivo, ajuda externa e, no fim, festa nacional.
O time de Hugo Broos se apoia em uma base muito clara: o Mamelodi Sundowns, que deu trabalho no Mundial de Clubes ao Fluminense e Dortmund, e o núcleo competitivo da Premier Soccer League. Ronwen Williams é mais do que goleiro. É capitão e especialista em transformar disputa de pênaltis em território de caça. Teboho Mokoena dá passe, chute de média distância e personalidade ao meio. Khuliso Mudau e Aubrey Modiba representam a força dos laterais do Sundowns, enquanto Thalente Mbatha e Jayden Adams ajudam a renovar o setor central. A seleção não tem um craque global, mas tem uma estrutura doméstica que se conhece — e isso, em seleções africanas, vale ouro.
No ataque, a África do Sul tenta equilibrar potência, juventude e alguma dose de improviso. Lyle Foster é a referência mais evidente: forte, móvel, acostumado ao futebol inglês e capaz de sustentar bolas longas quando o time precisa respirar. Porém, precisa transformar essa combinação em gols. Oswin Appollis traz velocidade, agressividade e faro de decisão. Relebohile Mofokeng talvez seja o nome de maior fascínio para o torcedor local: jovem, leve, atrevido, desses jogadores que parecem carregar uma faísca no primeiro toque. Evidence Makgopa oferece presença de área, enquanto Themba Zwane, mesmo veterano, segue sendo uma das poucas peças capazes de pausar o jogo e enxergar o passe que os outros não veem.
A Copa Africana de Nações ajuda a medir o momento. Em 2023, disputada no início de 2024, os Bafana Bafana chegaram ao pódio e ficaram com o bronze, resultado que devolveu respeito continental ao projeto de Broos. Na CAN 2025, porém, a eliminação nas oitavas para Camarões funcionou como freio. A África do Sul jogou bem por longos trechos, pressionou, criou, mas perdeu por 2 a 1 em Rabat. A CAF descreveu uma partida em que os sul-africanos dominaram fases importantes, mas foram punidos pela eficiência camaronesa. É um resumo perfeito do dilema: jogar bem não basta quando o adversário sabe sangrar no momento certo.
Os amistosos de março contra o Panamá foram escolhidos com um objetivo claro: simular, ainda que imperfeitamente, o tipo de jogo que a África do Sul pode encontrar contra o México. O primeiro terminou 1 a 1 em Durban, com Oswin Appollis marcando o empate e Lyle Foster desperdiçando chances que poderiam mudar o placar. O segundo, na Cidade do Cabo, virou derrota por 2 a 1, com gols panamenhos no segundo tempo. Broos não escondeu que queria testar comportamento mais do que apenas placar, mas Copa do Mundo não costuma ter paciência com laboratório.
O Grupo A coloca os sul-africanos diante de um roteiro ingrato. A estreia será contra o México, no Azteca, no jogo de abertura. Há formas mais tranquilas de voltar a uma Copa depois de 16 anos, claro. A Coreia do Sul oferece velocidade, disciplina e Son Heung-min como ameaça simbólica e real. A Tchéquia, com sua bola aérea e seu gosto por jogo áspero, pode transformar qualquer partida em duelo de oficina mecânica. Para a África do Sul, o caminho passa por resistir ao primeiro impacto, não entrar em pânico e transformar seus jogos em batalhas de detalhe.
Há limitações claras: falta profundidade internacional, falta um definidor de elite e falta experiência recente em Copas. Mas há também organização, pernas, goleiro, alguma criatividade e uma convicção que não existia nos piores anos pós-2010.
Os Bafana Bafana chegam ao Mundial sem promessa de conto de fadas. Chegam com uma ambição mais honesta: deixar de ser lembrados apenas pela festa que organizaram, pelas vuvuzelas, jabulanis e pelo gol que marcou uma abertura. Em 2026, a África do Sul quer produzir outra memória. Desta vez, dentro do torneio — e não apenas ao redor dele.
O Professor
Curiosidades
De acordo com a Reuters, a delegação sul-africana pretende chegar ao México quase duas semanas antes da estreia, para se ambientar à altitude que enfrenterá na estreia, na Cidade do México. A adaptação começa no dia 30 de maio, em Pachuca – cidade ainda mais alta que a capital.
A África do Sul tem duas vitórias em Copas: a primeira foi em 2002, quando os Bafana Bafana bateram a Eslovênia por 1 a 0 em Daegu, Coreia do Sul. A outra foi em conquistada em solo sul-africano, um 2 a 1 contra a França que marcou a despedida das duas seleções daquele Mundial.
Tchéquia
Convocados
| Nome | Posição | Idade | Altura | Clube |
|---|---|---|---|---|
| Lukáš Horníček | GOL | 23 | 1,98 m | Braga SC (Portugal) |
| Matěj Kovář | GOL | 25 | 1,96 m | PSV Eindhoven (Países Baixos) |
| Jindřich Staněk | GOL | 30 | 1,92 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Vladimír Coufal | DEF | 33 | 1,74 m | TSG 1899 Hoffenheim (Alemanha) |
| David Douděra | DEF | 27 | 1,75 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Tomáš Holeš | DEF | 33 | 1,80 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Robin Hranáč | DEF | 26 | 1,90 m | TSG 1899 Hoffenheim (Alemanha) |
| Štěpán Chaloupek | DEF | 23 | 1,88 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| David Jurásek | DEF | 25 | 1,83 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Ladislav Krejčí | DEF | 27 | 1,91 m | Wolverhampton Wanderers FC (Inglaterra) |
| Jaroslav Zelený | DEF | 33 | 1,90 m | AC Sparta Praha (Tchéquia) |
| David Zima | DEF | 25 | 1,92 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Lukáš Červ | MEI | 25 | 1,82 m | FC Viktoria Plzeň (Tchéquia) |
| Vladimír Darida | MEI | 35 | 1,72 m | FC Hradec Králové (Tchéquia) |
| Lukáš Provod | MEI | 29 | 1,89 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Michal Sadílek | MEI | 26 | 1,69 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Hugo Sochůrek | MEI | 17 | 1,83 m | AC Sparta Praha (Tchéquia) |
| Alexandr Sojka | MEI | 23 | 1,88 m | FC Viktoria Plzeň (Tchéquia) |
| Tomáš Souček | MEI | 31 | 1,92 m | West Ham United FC (Inglaterra) |
| Pavel Šulc | MEI | 25 | 1,77 m | Olympique Lyon (França) |
| Denis Višinský | MEI | 23 | 1,78 m | FC Viktoria Plzeň (Tchéquia) |
| Adam Hložek | ATA | 23 | 1,88 m | TSG Hoffenheim 1899 (Alemanha) |
| Tomáš Chorý | ATA | 31 | 1,99 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Mojmír Chytil | ATA | 27 | 1,87 m | SK Slavia Praha (Tchéquia) |
| Jan Kuchta | ATA | 29 | 1,85 m | AC Sparta Praha (Tchéquia) |
| Patrik Schick | ATA | 30 | 1,91 m | Bayer 04 Leverkusen (Alemanha) |
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Time-base
5-3-1-1
Os Mantos
Raio-X
A Tchéquia retorna à Copa do Mundo depois de vinte anos de ausência, e não volta exatamente pela porta principal. Volta pela porta lateral, de casaco pesado, joelho ralado e duas disputas de pênaltis no currículo. A última participação havia sido em 2006, na Alemanha, ainda com ecos da geração de Pavel Nedvěd, Tomáš Rosický, Jan Koller e Petr Čech. Desde então, o país manteve presença razoável em Euros, produziu bons jogadores, revelou técnicos competentes, mas ficou preso do lado de fora do Mundial. Para uma escola com passado tão rico, a seca começava a virar constrangimento.
A classificação para 2026 foi dramática do jeito que combina com esta equipe. A Tchéquia eliminou a Irlanda e depois a Dinamarca nos playoffs europeus, ambos os jogos em Praga, ambos por 2 a 2, ambos decididos nos pênaltis. Não há forma mais tcheca de carimbar passaporte: sofrimento controlado, bola parada, zagueiro salvando a pátria, goleiro trabalhando e estádio segurando a respiração até o último chute.
O caminho até ali, porém, não foi exatamente elegante. A campanha nas Eliminatórias teve momentos de ordem, mas também tropeços que custaram caro. A derrota por 2 a 1 para as Ilhas Faroé, em outubro de 2025, foi o tipo de resultado que derruba técnico, muda ambiente e obriga uma federação a admitir que o barco estava fazendo água. Ivan Hašek saiu, Miroslav Koubek chegou, e a seleção entrou na repescagem com mais urgência do que confiança.
A Tchéquia não é uma seleção sedutora. Não entra em campo para ganhar concurso de posse, nem para convencer o mundo de que descobriu uma nova geometria do futebol. Seu negócio é outro: contato, segunda bola, cruzamento, imposição aérea, faltas laterais, duelos no meio e uma paciência quase camponesa para transformar o jogo em trabalho braçal. Em um Mundial cheio de equipes mais rápidas, mais técnicas e mais midiáticas, os tchecos oferecem uma virtude antiga: são chatos. E, em Copa do Mundo, ser chato ainda elimina muita gente bonita.
O time se organiza a partir de uma base física e experiente. Tomáš Souček segue como figura central, mesmo depois de perder a braçadeira de capitão. É o tipo de jogador que talvez não faça o jogo respirar, mas faz o adversário tossir: forte no alto com seus 1.92m, disciplinado, competitivo, perigoso na área e acostumado ao ritmo da Premier League. Ao lado dele, a seleção busca equilíbrio com nomes como Lukáš Provod, Michal Sadílek, Pavel Šulc, Vladimír Darida e outros meio-campistas capazes de alternar combate e chegada. Não é um setor exuberante, mas é um setor de gente que entende o valor de uma bola dividida.
A liderança formal passou para Ladislav Krejčí, zagueiro canhoto, forte, vocal e talvez o melhor símbolo desta Tchéquia pós-crise. Tirar a faixa de Souček às vésperas da repescagem poderia ter incendiado o vestiário. Koubek transformou a decisão em reorganização hierárquica. Krejčí respondeu em campo: marcou contra a Irlanda, marcou contra a Dinamarca e virou personagem central da classificação. Às vezes, o futebol é sofisticado. Às vezes, basta um zagueiro que sobe mais alto do que todos e se recusa a aceitar o fim.
Na frente, Patrik Schick é o nome que muda o teto da equipe. A Tchéquia pode ser disciplinada, compacta e forte no jogo aéreo, mas sem Schick vira uma coleção de bons esforços. Com ele, ganha uma ameaça real. O atacante do Bayer Leverkusen tem presença, técnica, finalização e histórico de gols importantes pela seleção. O chute do meio-campo contra a Escócia na Euro 2020 ainda mora no imaginário recente do futebol europeu — aquele tipo de gol que transforma um jogador em lembrança instantânea. Para 2026, a pergunta é simples: quantas bolas limpas a Tchéquia conseguirá entregar a ele?
Há também um detalhe cultural que ajuda a entender essa seleção. O futebol tcheco vive à sombra de uma história que não cabe totalmente no presente. A República Tcheca independente só disputou uma Copa, em 2006, mas herda a memória da antiga Tchecoslováquia, vice-campeã mundial em 1934 e 1962 e campeã europeia em 1976. É um país que já teve refinamento técnico, meio-campistas elegantes, goleiros lendários e noites grandes. A seleção atual não tem o brilho de outras eras, mas carrega o mesmo desejo de ser levada a sério. Talvez por isso jogue com tanta cara de quem não aceita ser tratada como figurante.
No Grupo A, a Tchéquia entra em um cenário traiçoeiro. O México terá casa, altitude simbólica e cobrança nacional. A Coreia do Sul oferece velocidade, disciplina e jogadores acostumados a grandes ligas. A África do Sul chega com energia de quem pode transformar qualquer jogo em caos. Para os tchecos, a classificação passa por transformar o grupo em uma sequência de partidas desconfortáveis. Se o jogo ficar aberto demais, pode sofrer. Se virar duelo físico, bola aérea e placar curto, estará exatamente onde gosta.
A Tchéquia de 2026 não promete espetáculo. Promete resistência. Não chega para encantar neutros, vender camisa ou virar queridinha de compilado no TikTok. Chega para empurrar jogos até a margem, ganhar metros no corpo, transformar escanteios em ameaça existencial e lembrar que futebol de Copa também se decide na lama. Seus adversários talvez tenham mais brilho. Mas brilho, quando encontra pedra, às vezes só faz faísca. E se alguém perguntar como a Tchéquia chegou nessa Copa, a resposta já existe: no sofrimento, na insistência e na recusa absoluta em desaparecer.
O Professor
Curiosidades
A convocação para os playoffs foi de 25 jogadores. Para o Mundial, a lista será ampliada para 26.
Adam Hložek (Hoffenheim) é candidato forte ao retorno se recuperar-se de lesão.
Souček foi destituído da braçadeira de capitão, assumida por Krejčí.
Coreia do Sul
Convocados
| Nome | Posição | Idade | Altura | Clube |
|---|---|---|---|---|
| Jo Hyun-woo | GOL | 34 | 1,89 m | Ulsan HD (Coreia do Sul) |
| Kim Seung-gyu | GOL | 35 | 1,87 m | FC Tokyo (Japão) |
| Song Bum-keun | GOL | 28 | 1,94 m | Jeonbuk Hyundai (Coreia do Sul) |
| Kim Min-jae | DEF | 29 | 1,90 m | Bayern de Munique (Alemanha) |
| Cho Wi-je | DEF | 24 | 1,89 m | Jeonbuk Hyundai Motors (Coreia do Sul) |
| Lee Han-beom | DEF | 23 | 1,88 m | Midtjylland (Dinamarca) |
| Kim Tae-hyun | DEF | 25 | 1,86 m | Kashima Antlers (Japão) |
| Park Jin-seop | DEF | 30 | 1,84 m | Zhejiang FC (China) |
| Lee Ki-hyeok | DEF | 25 | 1,84 m | Gangwon FC (Coreia do Sul) |
| Lee Tae-seok | DEF | 23 | 1,74 m | Austria Vienna (Áustria) |
| Seol Young-woo | DEF | 27 | 1,81 m | Red Star Belgrade (Sérvia) |
| Jens Castrop | DEF | 22 | 1,77 m | Borussia Mönchengladbach (Alemanha) |
| Kim Moon-hwan | DEF | 30 | 1,73 m | Daejeon Hana (Coreia do Sul) |
| Yang Hyun-jun | MEI | 23 | 1,79 m | Celtic (Escócia) |
| Paik Seung-ho | MEI | 29 | 1,82 m | Birmingham City (Inglaterra) |
| Hwang In-beom | MEI | 29 | 1,77 m | Feyenoord (Holanda) |
| Kim Jin-kyu | MEI | 29 | 1,77 m | Jeonbuk Hyundai (Coreia do Sul) |
| Bae Jun-ho | MEI | 22 | 1,80 m | Stoke City (Inglaterra) |
| Um Ji-sung | MEI | 24 | 1,78 m | Swansea City (País de Gales) |
| Hwang Hee-chan | MEI | 30 | 1,77 m | Wolverhampton (Inglaterra) |
| Lee Dong-gyeong | MEI | 28 | 1,75 m | Ulsan HD (Coreia do Sul) |
| Lee Jae-sung | MEI | 33 | 1,80 m | Mainz (Alemanha) |
| Lee Kang-in | MEI | 25 | 1,73 m | Paris Saint-Germain (França) |
| Oh Hyun-kyu | ATA | 25 | 1,85 m | Besiktas (Turquia) |
| Son Heung-min | ATA | 33 | 1,84 m | LA FC (Estados Unidos) |
| Cho Kyu-sung | ATA | 28 | 1,88 m | Midtjylland (Dinamarca) |
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Time-base
3-4-2-1
Os Mantos
Raio-X
A Coreia do Sul chega à Copa do Mundo de 2026 com uma regularidade que já virou patrimônio nacional: será sua 12ª participação no torneio e a 11ª consecutiva, sequência iniciada em 1986. Poucas seleções fora do eixo Europa-América do Sul podem apresentar uma constância parecida. Os Guerreiros Taegeuk não são visitantes ocasionais da Copa; são parte fixa da paisagem. A questão, agora, é outra: depois de tantos Mundiais, inclusive sendo sede de uma delas, a Coreia quer deixar de ser apenas presença confiável e voltar a ser uma ameaça real no mata-mata.
O torneio carrega um peso emocional evidente porque pode ser a última Copa de Son Heung-min. O maior jogador sul-coreano de sua geração deixou a Premier League em 2025 e foi para o LAFC, em uma mudança que também teve cheiro de planejamento: menos desgaste europeu, mais controle físico e um palco norte-americano perfeito para preparar o último grande ato com a seleção.
Mas o roteiro não é tão simples quanto “dar uma despedida bonita a Son”. A Coreia chega com uma geração interessante, talvez mais equilibrada tecnicamente do que algumas versões recentes, mas também com dúvidas grandes. Kim Min-jae é o alicerce defensivo, um zagueiro de elite que permite ao time defender mais alto e corrigir espaços que outros não alcançam. Lee Kang-in dá criatividade, pausa e canhota. Hwang Hee-chan oferece aceleração e agressividade. Hwang In-beom, Lee Jae-sung, Bae Jun-ho, Eom Ji-sung e Hong Hyun-seok dão opções a um meio-campo que já não depende apenas de pulmão e disciplina.
A classificação foi segura, mesmo sem brilho constante. A Coreia confirmou a vaga com uma vitória por 2 a 0 sobre o Iraque, em Basra. A campanha terminou invicta, com seis vitórias e quatro empates, depois do 4 a 0 sobre o Kuwait em Seul. Foi o tipo de campanha que mostra maturidade asiática, mas não necessariamente responde ao que virá no Mundial: uma coisa é controlar o caminho na AFC; outra é lidar com seleções fisicamente mais fortes, taticamente mais cínicas e tecnicamente mais afiadas.
Esse é o ponto sensível. A Coreia tem intensidade, organização e jogadores acostumados ao futebol europeu, mas ainda sofre quando encontra rivais que conseguem igualar seu ritmo e impor contato físico. Os amistosos de março foram um banho gelado. A derrota por 4 a 0 para a Costa do Marfim em Milton Keynes e o 1 a 0 para a Áustria em Viena expuseram problemas de proteção defensiva, criação e adaptação a adversários que atacam o corpo antes de atacar a bola. Problemas que o Brasil tinha exposto em outubro do ano passado.
A seleção se explica melhor quando olhamos para suas tensões internas. Son continua sendo o coração simbólico, mas o time não pode funcionar como uma homenagem em movimento. Lee Kang-in precisa assumir mais responsabilidade criativa. Kim Min-jae precisa liderar uma defesa que nem sempre se protege bem. Hwang Hee-chan precisa transformar energia em decisão. E Hong Myung-bo precisa decidir se insiste em um desenho mais conservador, com linha de cinco em alguns cenários, ou se devolve ao time uma estrutura mais natural em 4-2-3-1. A Coreia tem opções. O desafio é que opção demais, quando mal resolvida, vira névoa.
Há também uma camada cultural que o grande público costuma ignorar. O futebol sul-coreano vive em permanente comparação com seu próprio milagre de 2002. Aquela semifinal, em casa, foi tão gigantesca que virou bênção e maldição. Inspirou gerações, mas também criou uma régua quase injusta e falsa, já que ela ocorreu devido a erros bisonhos de arbitragem.
Desde então, a Coreia avançou às oitavas em 2010 e 2022, mas nunca voltou perto daquela vertigem. O país continua produzindo jogadores fortes, profissionais, competitivos, muitos deles exportados cedo para a Europa. Ainda assim, a sombra de 2002 está sempre ali, sentada na arquibancada, perguntando quando a próxima grande noite vai chegar.
No Grupo A, a Coreia entra em um cenário que parece equilibrado e, por isso mesmo, perigoso. A estreia contra a Tchéquia em Guadalajara pode ditar o tom da campanha: um duelo entre a velocidade coreana e o peso físico tcheco. Depois vem o México, também em Guadalajara, provavelmente em ambiente hostil e barulhento. A terceira rodada contra a África do Sul, em Monterrey, pode virar jogo de nervos, principalmente se a classificação ainda estiver aberta.
A Coreia do Sul é seleção de Copa, de camisa rodada, de jogadores disciplinados e competitivos. Mas sabemos que vai ser figurante, mesmo que avance de fase. Os Guerreiros Taegeuk chegam a 2026 carregando tradição, despedida e cobrança. Em uma Copa de 48 seleções, passar de fase é obrigação razoável. Fazer barulho exigirá mais. A Coreia já provou que sabe chegar ao Mundial. Agora precisa provar que ainda sabe assustar dentro dele sem ajuda de apito amigo.
O Professor
Curiosidades
Hong Myung-bo anunciou que a lista final de 26 será divulgada em meados de maio.
O técnico sul-coreano vai viver sua segunda Copa do Mundo como treinador da seleção nacional, mas também já participou do torneio em outras funções: também já foi jogador, capitão e assistente técnico
A Coreia do Sul perdeu os dois amistosos de março (0-4 para Costa do Marfim e 0-1 para Áustria), o que acendeu alerta sobre ajustes táticos.