México

México

O México chega à Copa do Mundo de 2026 como anfitrião pela terceira vez, uma marca que nenhum outro país alcançou na história do torneio. Em 1970 e 1986, jogando em casa, El Tri foi até as quartas de final — campanhas que ainda funcionam como teto, memória e incômodo. Quarenta anos depois da Copa de Maradona, o país volta ao centro do futebol mundial com uma mistura muito mexicana de euforia, cobrança e ansiedade. Porque, no México, jogar em casa não é apenas uma vantagem. É um julgamento com estádio lotado.

O Estádio Azteca — hoje também rebatizado comercialmente como Estadio Banorte e tratado pela FIFA como Estádio Cidade do México — será o palco da estreia contra a África do Sul. Poucos lugares no futebol carregam tanta mitologia: ali Pelé ergueu o tri em 1970, Maradona virou personagem bíblico em 1986 e agora a seleção mexicana tentará transformar altitude, história e arquibancada em combustível. O problema é que o Azteca intimida rivais, mas também amplifica frustrações. Cada passe errado ali parece ecoar por décadas.

A Copa de 2026 encontra o México em um ponto delicado. A seleção não chega esfacelada, mas também não chega em lua de mel com sua torcida. Desde 1994, o país se acostumou a uma rotina cruel: passar da fase de grupos e cair nas oitavas. O famoso “quinto partido” virou obsessão nacional, quase uma entidade própria. Em 2022, o golpe foi ainda pior: eliminação ainda na primeira fase, encerrando uma sequência de sete Mundiais consecutivos no mata-mata. Por isso, 2026 não é apenas sobre avançar. É sobre quebrar uma trava psicológica que já atravessou gerações.

Javier Aguirre voltou para administrar esse incêndio com a serenidade de quem já viu a casa pegar fogo antes. El Vasco foi chamado em 2024 depois da queda de Jaime Lozano, com Rafa Márquez ao lado como auxiliar e possível herdeiro do projeto. A escolha disse muito sobre o momento mexicano: menos aposta em revolução, mais busca por estabilidade. Aguirre não chegou para vender futebol de laboratório, mas para recolocar ordem em um ambiente que costuma transformar cada convocação, cada empate e cada entrevista em crise nacional.

O elenco tem nomes capazes de sustentar uma campanha competitiva, mas também carrega interrogações demais para qualquer oba-oba. Edson Álvarez é o eixo emocional e defensivo da equipe: quando está inteiro, o México ganha liderança, combate e senso de proteção. Raúl Jiménez oferece experiência, jogo de costas e presença de área. Santiago Giménez segue como a grande cobrança ofensiva: tem currículo europeu, tem expectativa, mas ainda precisa transformar promessa em impacto constante pela seleção. Johan Vásquez e César Montes dão peso à defesa, enquanto Raúl Rangel aparece como candidato real a assumir o gol em um momento de transição.

Há ainda uma disputa interessante por identidade no meio e no ataque. Álvaro Fidalgo, espanhol naturalizado mexicano, entrou no radar e virou assunto imediato — porque no México futebol e pertencimento raramente caminham separados. Obed Vargas, Brian Gutiérrez, Erik Lira e outros nomes representam uma tentativa de renovar energia em um setor que precisa correr, marcar e criar sem depender apenas de veteranos. Na frente, Julián Quiñones, Roberto Alvarado, Alexis Vega, Germán Berterame, Armando González e Guillermo Martínez ampliam o cardápio, embora ainda falte ao time uma receita ofensiva plenamente confiável.

Essa talvez seja a grande angústia mexicana: há peças, mas nem sempre há fluidez. O México consegue competir, consegue pressionar em momentos específicos, consegue defender com dignidade contra adversários fortes. Mas transformar posse em perigo constante segue sendo uma tarefa irregular. Contra Portugal, o empate sem gols na reabertura do Azteca mostrou uma equipe organizada, mas pouco inspirada. Contra a Bélgica, o 1 a 1 em Chicago trouxe reação melhor e mais personalidade. Ainda assim, o torcedor mexicano conhece bem esse filme: bons sinais em amistosos não pagam dívida em Copa.

Também pesa o momento físico de algumas peças centrais. Luis Malagón, que vinha como nome forte no gol, sofreu grave lesão e ficou fora da corrida. Edson Álvarez passou por cirurgia no tornozelo. Marcel Ruiz e Luis Chávez também chegaram ao ano mundialista cercados de cuidados físicos. Ao mesmo tempo, Guillermo Ochoa reaparece como personagem de novela interminável. Aos 40 anos, mira uma sexta Copa e representa tudo o que o México ama e teme em si mesmo: memória, heroísmo, dependência do passado e dificuldade de virar completamente a página.

O Grupo A parece administrável, mas não é um convite para soberba. África do Sul, Coreia do Sul e República Tcheca não formam um grupo impossível, porém todos oferecem algum tipo de desconforto. A África do Sul entra sem o peso mexicano, a Coreia do Sul tem velocidade e hábito de Copa, e os tchecos trazem força física e tradição europeia. Para o México, o primeiro tropeço pode virar terremoto emocional. Em uma Copa em casa, a tabela nunca é apenas tabela. É termômetro nacional.

O México de 2026 vive entre o orgulho e o medo. Tem casa, camisa, torcida, técnico experiente e jogadores acostumados a grandes centros. Mas tem também cicatrizes recentes, pouca paciência pública e uma relação quase doentia com a ideia de finalmente chegar ao quinto jogo. A Copa pode ser libertação. Também pode ser espelho. E o espelho, às vezes, é mais cruel do que qualquer adversário.

No fim, El Tri não quer apenas organizar a festa. Quer parar de ser o anfitrião simpático, o competidor digno, o personagem eliminado na mesma página do roteiro. Quer mudar de capítulo. Resta saber se terá futebol — e nervos — para isso.

Informações básicas

Técnico

Javier Aguirre

Esquema tático

4-3-3

Ranking FIFA

15º

Últimos 10 jogos

México x Bélgica 1-1 2026-03-31 · Amistoso Soldier Field — Chicago (EUA)
México x Portugal 0-0 2026-03-28 · Amistoso Estádio Azteca — Cidade do México
México x Islândia 4-0 2026-02-25 · Amistoso Estádio Corregidora — Querétaro
Bolívia x México 0-1 2026-01-25 · Amistoso A confirmar — EUA
Panamá x México 0-1 2026-01-22 · Amistoso A confirmar — EUA
México x Paraguai 1-2 2025-11-18 · Amistoso Alamodome — San Antonio (EUA)
México x Uruguai 0-0 2025-11-15 · Amistoso Estadio Corona — Torreón (MEX)
México x Equador 1-1 2025-10-14 · Amistoso Estadio Akron — Guadalajara (MEX)
México x Colômbia 0-4 2025-10-11 · Amistoso AT&T Stadium — Arlington (EUA)
México x Coreia do Sul 2-2 2025-09-09 · Amistoso Geodis Park — Nashville (EUA)

Escalação provável

Escalação provável de México
Convocados
Nome Posição Clube
Carlos Acevedo Goleiro Santos Laguna
Guillermo Ochoa Goleiro AEL Limassol
Raúl Rangel Goleiro Chivas
César Montes Defensor Lokomotiv Moscou
Israel Reyes Defensor América
Jesús Gallardo Defensor Toluca
Johan Vásquez Defensor Genoa
Jorge Sánchez Defensor PAOK
Mateo Chávez Defensor AZ Alkmaar
Álvaro Fidalgo Meia Real Betis
Brian Gutiérrez Meia Chivas
Edson Álvarez Meia Fenerbahçe
Erik Lira Meia Cruz Azul
Gilberto Mora Meia Tijuana
Luis Chávez Meia Dinamo Moscou
Luis Romo Meia Chivas
Obed Vargas Meia Atlético de Madrid
Orbelín Pineda Meia AEK Atenas
Alexis Vega Atacante Toluca
Armando González Atacante Chivas
César Huerta Atacante Anderlecht
Guillermo Martínez Atacante Pumas
Julián Quiñones Atacante Al-Qadisiyah
Raúl Jiménez Atacante Fulham
Roberto Alvarado Atacante Chivas
Santiago Giménez Atacante AC Milan
Observações

Edson Álvarez (West Ham) e Santiago Giménez (Milan) ficaram fora da última convocação por lesão/decisão de clube, mas são peças-chave para a lista final do Mundial.

Luis Malagón, que vinha sendo o goleiro titular durante o ciclo, rompeu o tendão de Aquiles e está fora do Mundial.

O substituto deve ser... ele mesmo: Guillermo Ocha, o imorrível, que vem para sua sexta Copa do Mundo, quando se juntará a Messi e Cristiano Ronaldo como recordista de participações. Desta vez, entretanto, ele deve ser reserva de Raúl Rangel.

O professor +
Javier Aguirre

Javier Aguirre (67 anos)

Javier Aguirre é menos uma aposta e mais um seguro contra o colapso. Em um país que vive a seleção como novela diária, El Vasco voltou pela terceira vez ao comando do México porque conhece o cargo por dentro: as urgências, as vaidades, a imprensa, a federação, a torcida e aquela sensação permanente de que uma crise está sempre a dois passes errados de distância.

Sua carreira ajuda a explicar a escolha. Aguirre treinou por décadas em ambientes de alta cobrança, passou pela Espanha, comandou seleções fora do México e construiu uma reputação de técnico prático, competitivo e pouco interessado em floreios. Não é o treinador que promete encantar o mundo. É o que tenta impedir que o mundo engula seu time antes da hora. Para uma Copa em casa, essa pode ser uma virtude enorme — ou uma confissão de medo.

No campo, seu México tende a partir da ordem. Linhas mais juntas, laterais com menos liberdade suicida, meio-campo disposto a correr para trás e atacantes obrigados a participar da pressão. Aguirre gosta de controlar o risco antes de controlar o espetáculo. A prioridade é manter a equipe viva, mesmo que isso custe parte do brilho. Em torneio curto, sobreviver pode ser método. No México, porém, sobreviver às vezes soa como pouco.

O ponto mais delicado do trabalho é equilibrar experiência e renovação. Ochoa, Raúl Jiménez, Edson Álvarez e outros nomes carregam hierarquia. Mas o país também pede sangue novo, pede Gilberto Mora, Armando González, Obed Vargas, Brian Gutiérrez, Fidalgo, Lira, gente capaz de refrescar um time que por vezes parece preso ao próprio passado. Aguirre não pode montar uma seleção-museu. Também não pode entregar uma Copa em casa a jogadores que ainda não conhecem o peso da camisa. A corda é fina — e está esticada sobre o Azteca.

Há ainda Rafa Márquez, presença que muda o subtexto do trabalho. O auxiliar não é apenas auxiliar. É ídolo, símbolo, ponte com outra geração e possível sucessor. Isso dá ao projeto uma aparência de transição planejada, mas também coloca Aguirre em uma posição curiosa: ele comanda o presente sabendo que o futuro está sentado ao seu lado no banco.

O desafio de El Vasco é claro: fazer o México competir sem se incendiar. A seleção não precisa apenas de tática. Precisa de controle emocional, algo que em Copa do Mundo já é difícil e, diante da própria torcida, vira prova de sanidade. Se Aguirre levar o país ao tão sonhado quinto jogo, será tratado como o veterano que apagou uma maldição. Se cair antes, ouvirá que seu pragmatismo foi só outro nome para falta de ambição.

Em 2026, Aguirre não treina apenas uma equipe. Treina uma expectativa nacional. E talvez esse seja o adversário mais perigoso do México.

África do Sul

África do Sul

A África do Sul volta à Copa do Mundo pela primeira vez desde 2010, quando recebeu o torneio, apresentou ao mundo o som das vuvuzelas, viu Siphiwe Tshabalala marcar um dos gols de abertura mais icônicos da história recente e, alguns dias depois, virou também a primeira anfitriã eliminada na fase de grupos. Para a sorte dela o Catar apareceu ano passado e deixou de ser a única com essa marca negativa. Foi uma Copa inesquecível para o país e cruel para a seleção. Dezesseis anos depois, os Bafana Bafana retornam ao palco mundial com outro tipo de bagagem: menos fantasia, mais método; menos espetáculo turístico, mais futebol de sobrevivência.

Esta será a quarta participação sul-africana em Copas, depois de 1998, 2002 e 2010. O melhor desempenho, curiosamente, não veio em casa, mas em 2002, quando a seleção terminou em 17º lugar, muito perto de avançar às oitavas. A FIFA ainda trata aquela campanha como o ponto mais alto do país no Mundial. Em 2026, a missão é simples de explicar e difícil de executar: vencer o passado. Não o passado glorioso — esse é curto —, mas o passado das quase classificações, das promessas quebradas e da sensação de que o futebol sul-africano sempre teve mais matéria-prima do que produto final.

O apelido Bafana Bafana significa algo próximo de “os meninos, os meninos”, em zulu. Nasceu nos anos 1990, quando a seleção voltava ao cenário internacional após o isolamento do apartheid, e carrega até hoje uma ternura popular que contrasta com a cobrança sobre o time. A África do Sul é um país que entende bem o poder simbólico do esporte — basta olhar para o rugby —, mas o futebol, apesar de sua imensa popularidade, viveu por muito tempo entre explosões de emoção e períodos de frustração. A classificação para 2026 reacendeu uma chama que parecia guardada na gaveta desde o grito de Tshabalala.

A campanha nas Eliminatórias teve de tudo: bons resultados, tensão, punição e final dramático. A África do Sul terminou líder do Grupo C mesmo depois de perder três pontos por escalar Teboho Mokoena de forma irregular em um jogo contra Lesoto. A vaga foi confirmada com vitória por 3 a 0 sobre Ruanda, em Mbombela, enquanto a Nigéria atropelava Benin e ajudava a reorganizar a tabela. Poucas seleções chegam à Copa com uma classificação tão sul-africana: erro administrativo, susto coletivo, ajuda externa e, no fim, festa nacional.

O time de Hugo Broos se apoia em uma base muito clara: o Mamelodi Sundowns, que deu trabalho no Mundial de Clubes ao Fluminense e Dortmund, e o núcleo competitivo da Premier Soccer League. Ronwen Williams é mais do que goleiro. É capitão e especialista em transformar disputa de pênaltis em território de caça. Teboho Mokoena dá passe, chute de média distância e personalidade ao meio. Khuliso Mudau e Aubrey Modiba representam a força dos laterais do Sundowns, enquanto Thalente Mbatha e Jayden Adams ajudam a renovar o setor central. A seleção não tem um craque global, mas tem uma estrutura doméstica que se conhece — e isso, em seleções africanas, vale ouro.

No ataque, a África do Sul tenta equilibrar potência, juventude e alguma dose de improviso. Lyle Foster é a referência mais evidente: forte, móvel, acostumado ao futebol inglês e capaz de sustentar bolas longas quando o time precisa respirar. Porém, precisa transformar essa combinação em gols. Oswin Appollis traz velocidade, agressividade e faro de decisão. Relebohile Mofokeng talvez seja o nome de maior fascínio para o torcedor local: jovem, leve, atrevido, desses jogadores que parecem carregar uma faísca no primeiro toque. Evidence Makgopa oferece presença de área, enquanto Themba Zwane, mesmo veterano, segue sendo uma das poucas peças capazes de pausar o jogo e enxergar o passe que os outros não veem.

A Copa Africana de Nações ajuda a medir o momento. Em 2023, disputada no início de 2024, os Bafana Bafana chegaram ao pódio e ficaram com o bronze, resultado que devolveu respeito continental ao projeto de Broos. Na CAN 2025, porém, a eliminação nas oitavas para Camarões funcionou como freio. A África do Sul jogou bem por longos trechos, pressionou, criou, mas perdeu por 2 a 1 em Rabat. A CAF descreveu uma partida em que os sul-africanos dominaram fases importantes, mas foram punidos pela eficiência camaronesa. É um resumo perfeito do dilema: jogar bem não basta quando o adversário sabe sangrar no momento certo.

Os amistosos de março contra o Panamá foram escolhidos com um objetivo claro: simular, ainda que imperfeitamente, o tipo de jogo que a África do Sul pode encontrar contra o México. O primeiro terminou 1 a 1 em Durban, com Oswin Appollis marcando o empate e Lyle Foster desperdiçando chances que poderiam mudar o placar. O segundo, na Cidade do Cabo, virou derrota por 2 a 1, com gols panamenhos no segundo tempo. Broos não escondeu que queria testar comportamento mais do que apenas placar, mas Copa do Mundo não costuma ter paciência com laboratório.

O Grupo A coloca os sul-africanos diante de um roteiro ingrato. A estreia será contra o México, no Azteca, no jogo de abertura. Há formas mais tranquilas de voltar a uma Copa depois de 16 anos, claro. A Coreia do Sul oferece velocidade, disciplina e Son Heung-min como ameaça simbólica e real. A Tchéquia, com sua bola aérea e seu gosto por jogo áspero, pode transformar qualquer partida em duelo de oficina mecânica. Para a África do Sul, o caminho passa por resistir ao primeiro impacto, não entrar em pânico e transformar seus jogos em batalhas de detalhe.

Há limitações claras: falta profundidade internacional, falta um definidor de elite e falta experiência recente em Copas. Mas há também organização, pernas, goleiro, alguma criatividade e uma convicção que não existia nos piores anos pós-2010.

Os Bafana Bafana chegam ao Mundial sem promessa de conto de fadas. Chegam com uma ambição mais honesta: deixar de ser lembrados apenas pela festa que organizaram, pelas vuvuzelas, jabulanis e pelo gol que marcou uma abertura. Em 2026, a África do Sul quer produzir outra memória. Desta vez, dentro do torneio — e não apenas ao redor dele.

Informações básicas

Técnico

Hugo Broos

Esquema tático

4-3-3

Ranking FIFA

60º

Últimos 10 jogos

África do Sul x Panamá 1-1 2026-03-31 · Amistoso DHL Stadium — Cape Town
África do Sul x Panamá 1-1 2026-03-27 · Amistoso Moses Mabhida — Durban
Camarões x África do Sul 2-1 2026-01-04 · CAN 2025 (Oitavas de Final) Grand Stade — Marrakech
África do Sul x Zimbábue 3-2 2025-12-29 · CAN 2025 (Fase de Grupos) Grand Stade — Marrakech
Egito x África do Sul 1-0 2025-12-26 · CAN 2025 (Fase de Grupos) Marrocos — A definir
África do Sul x Angola 2-1 2025-12-22 · CAN 2025 (Fase de Grupos) Marrocos — A definir
África do Sul x Ruanda 3-0 2025-10-14 · Elim. Copa (CAF) Mbombela Stadium — Mbombela
Zimbábue x África do Sul 0-0 2025-10-10 · Elim. Copa (CAF) Moses Mabhida — Durban
África do Sul x Nigéria 1-1 2025-09-09 · Elim. Copa (CAF) Free State Stadium — Bloemfontein
Lesoto x África do Sul 0-3 2025-09-05 · Elim. Copa (CAF) Free State Stadium — Bloemfontein

Escalação provável

Escalação provável de África do Sul
Convocados
Nome Posição Clube
Ronwen Williams Goleiro Mamelodi Sundowns
Ricardo Goss Goleiro Siwelele FC
Sipho Chaine Goleiro Orlando Pirates
Khuliso Mudau Defensor Mamelodi Sundowns
Olwethu Makhanya Defensor Philadelphia Union
Bradley Cross Defensor Kaizer Chiefs
Thabang Matuludi Defensor Polokwane City
Nkosinathi Sibisi Defensor Orlando Pirates
Aubrey Modiba Defensor Mamelodi Sundowns
Khulumani Ndamane Defensor Mamelodi Sundowns
Ime Okon Defensor Hannover 96
Kamogelo Sebelebele Defensor Orlando Pirates
Samukele Kabini Defensor Molde FK
Mbekezeli Mbokazi Defensor Chicago Fire
Teboho Mokoena Meia Mamelodi Sundowns
Jayden Adams Meia Mamelodi Sundowns
Thalente Mbatha Meia Orlando Pirates
Sphephelo Sithole Meia CD Tondela
Oswin Appollis Atacante Orlando Pirates
Tshepang Moremi Atacante Orlando Pirates
Evidence Makgopa Atacante Orlando Pirates
Lyle Foster Atacante Burnley
Iqraam Rayners Atacante Mamelodi Sundowns
Relebohile Mofokeng Atacante Orlando Pirates
Themba Zwane Atacante Mamelodi Sundowns
Thapelo Maseko Atacante AEL Limassol
Observações

De acordo com a Reuters, a delegação sul-africana pretende chegar ao México quase duas semanas antes da estreia, para se ambientar à altitude que enfrenterá na estreia, na Cidade do México. A adaptação começa no dia 30 de maio, em Pachuca – cidade ainda mais alta que a capital.

A África do Sul tem duas vitórias em Copas: a primeira foi em 2002, quando os Bafana Bafana bateram a Eslovênia por 1 a 0 em Daegu, Coreia do Sul. A outra foi em conquistada em solo sul-africano, um 2 a 1 contra a França que marcou a despedida das duas seleções daquele Mundial.

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Hugo Broos

Hugo Broos (73 anos)

Hugo Broos é um treinador de outra época que encontrou utilidade plena em um futebol cada vez mais impaciente. Belga, ex-zagueiro, campeão europeu como jogador pelo Anderlecht e técnico de longa estrada, ele não chegou à África do Sul para parecer moderno. Chegou para colocar ordem. E, às vezes, ordem é justamente a revolução possível.

Sua carreira em seleções africanas já tinha um cartão de visitas poderoso: o título da CAN de 2017 com Camarões, conquistado contra um Egito favorito e mais badalado. Não foi uma campanha de brilho contínuo, mas de maturidade, leitura de torneio e vestiário controlado. Anos depois, com a África do Sul, voltou ao pódio continental ao terminar em terceiro na CAN 2023. A CAF destaca esse histórico raro: ouro com Camarões em 2017 e bronze com os Bafana Bafana no ciclo seguinte.

Broos tem método de treinador que não se apaixona pelo quadro tático antes de olhar para o elenco. Seu jogo parte da proteção: equipe curta, laterais responsáveis, meio-campo competitivo e ataques que precisam acelerar quando o espaço aparece. Ele não tenta transformar a África do Sul em uma seleção de posse ornamental. Prefere um time que saiba sofrer sem rasgar, que aceite momentos de pressão e que entenda a diferença entre coragem e bagunça.

A personalidade é parte do pacote. Broos é direto, por vezes áspero, pouco interessado em agradar a imprensa e confortável em decisões impopulares. Já deixou medalhões fora, renovou o grupo quando muitos pediam nomes conhecidos e bancou jogadores do futebol local quando a tentação seria procurar soluções mais glamourosas fora do país. Seu comando tem algo de velho professor: cobra, reclama, cutuca, mas também protege quando sente que o grupo comprou a ideia.

O dilema de comando é evidente. A África do Sul tem estrutura coletiva, mas não tem abundância de estrelas. Tem bons jovens, mas nem todos testados no nível mais alto. Tem uma base doméstica forte, mas enfrentará rivais com outro ritmo internacional. Broos precisa decidir até que ponto confia na química local e até que ponto abre espaço para jogadores que podem oferecer explosão, mas menos entendimento coletivo. Em Copa, a tentação do talento de última hora sempre bate à porta. O problema é que porta aberta demais vira contra-ataque.

Há também uma tensão simbólica. Broos sabe que 2026 pode ser seu último grande ato no futebol. Ele vê a África do Sul como uma possível surpresa justamente por ser uma seleção pouco conhecida fora do continente. O trabalho de Broos é fazer os Bafana Bafana parecerem adultos em um ambiente que convida ao descontrole. Azteca cheio, estreia contra anfitrião, volta à Copa depois de 16 anos, torcida sul-africana esperando um novo capítulo. Tudo empurra para a emoção. Broos tentará puxar para o chão. Talvez seja pouco poético. Talvez seja necessário.

Ele não promete uma África do Sul encantadora. Promete uma África do Sul difícil de remover do jogo. Para uma seleção que passou tempo demais assistindo ao Mundial de fora, já é um começo respeitável.

Tchéquia

Tchéquia

A Tchéquia retorna à Copa do Mundo depois de vinte anos de ausência, e não volta exatamente pela porta principal. Volta pela porta lateral, de casaco pesado, joelho ralado e duas disputas de pênaltis no currículo. A última participação havia sido em 2006, na Alemanha, ainda com ecos da geração de Pavel Nedvěd, Tomáš Rosický, Jan Koller e Petr Čech. Desde então, o país manteve presença razoável em Euros, produziu bons jogadores, revelou técnicos competentes, mas ficou preso do lado de fora do Mundial. Para uma escola com passado tão rico, a seca começava a virar constrangimento.

A classificação para 2026 foi dramática do jeito que combina com esta equipe. A Tchéquia eliminou a Irlanda e depois a Dinamarca nos playoffs europeus, ambos os jogos em Praga, ambos por 2 a 2, ambos decididos nos pênaltis. Não há forma mais tcheca de carimbar passaporte: sofrimento controlado, bola parada, zagueiro salvando a pátria, goleiro trabalhando e estádio segurando a respiração até o último chute.

O caminho até ali, porém, não foi exatamente elegante. A campanha nas Eliminatórias teve momentos de ordem, mas também tropeços que custaram caro. A derrota por 2 a 1 para as Ilhas Faroé, em outubro de 2025, foi o tipo de resultado que derruba técnico, muda ambiente e obriga uma federação a admitir que o barco estava fazendo água. Ivan Hašek saiu, Miroslav Koubek chegou, e a seleção entrou na repescagem com mais urgência do que confiança.

A Tchéquia não é uma seleção sedutora. Não entra em campo para ganhar concurso de posse, nem para convencer o mundo de que descobriu uma nova geometria do futebol. Seu negócio é outro: contato, segunda bola, cruzamento, imposição aérea, faltas laterais, duelos no meio e uma paciência quase camponesa para transformar o jogo em trabalho braçal. Em um Mundial cheio de equipes mais rápidas, mais técnicas e mais midiáticas, os tchecos oferecem uma virtude antiga: são chatos. E, em Copa do Mundo, ser chato ainda elimina muita gente bonita.

O time se organiza a partir de uma base física e experiente. Tomáš Souček segue como figura central, mesmo depois de perder a braçadeira de capitão. É o tipo de jogador que talvez não faça o jogo respirar, mas faz o adversário tossir: forte no alto com seus 1.92m, disciplinado, competitivo, perigoso na área e acostumado ao ritmo da Premier League. Ao lado dele, a seleção busca equilíbrio com nomes como Lukáš Provod, Michal Sadílek, Pavel Šulc, Vladimír Darida e outros meio-campistas capazes de alternar combate e chegada. Não é um setor exuberante, mas é um setor de gente que entende o valor de uma bola dividida.

A liderança formal passou para Ladislav Krejčí, zagueiro canhoto, forte, vocal e talvez o melhor símbolo desta Tchéquia pós-crise. Tirar a faixa de Souček às vésperas da repescagem poderia ter incendiado o vestiário. Koubek transformou a decisão em reorganização hierárquica. Krejčí respondeu em campo: marcou contra a Irlanda, marcou contra a Dinamarca e virou personagem central da classificação. Às vezes, o futebol é sofisticado. Às vezes, basta um zagueiro que sobe mais alto do que todos e se recusa a aceitar o fim.

Na frente, Patrik Schick é o nome que muda o teto da equipe. A Tchéquia pode ser disciplinada, compacta e forte no jogo aéreo, mas sem Schick vira uma coleção de bons esforços. Com ele, ganha uma ameaça real. O atacante do Bayer Leverkusen tem presença, técnica, finalização e histórico de gols importantes pela seleção. O chute do meio-campo contra a Escócia na Euro 2020 ainda mora no imaginário recente do futebol europeu — aquele tipo de gol que transforma um jogador em lembrança instantânea. Para 2026, a pergunta é simples: quantas bolas limpas a Tchéquia conseguirá entregar a ele?

Há também um detalhe cultural que ajuda a entender essa seleção. O futebol tcheco vive à sombra de uma história que não cabe totalmente no presente. A República Tcheca independente só disputou uma Copa, em 2006, mas herda a memória da antiga Tchecoslováquia, vice-campeã mundial em 1934 e 1962 e campeã europeia em 1976. É um país que já teve refinamento técnico, meio-campistas elegantes, goleiros lendários e noites grandes. A seleção atual não tem o brilho de outras eras, mas carrega o mesmo desejo de ser levada a sério. Talvez por isso jogue com tanta cara de quem não aceita ser tratada como figurante.

No Grupo A, a Tchéquia entra em um cenário traiçoeiro. O México terá casa, altitude simbólica e cobrança nacional. A Coreia do Sul oferece velocidade, disciplina e jogadores acostumados a grandes ligas. A África do Sul chega com energia de quem pode transformar qualquer jogo em caos. Para os tchecos, a classificação passa por transformar o grupo em uma sequência de partidas desconfortáveis. Se o jogo ficar aberto demais, pode sofrer. Se virar duelo físico, bola aérea e placar curto, estará exatamente onde gosta.

A Tchéquia de 2026 não promete espetáculo. Promete resistência. Não chega para encantar neutros, vender camisa ou virar queridinha de compilado no TikTok. Chega para empurrar jogos até a margem, ganhar metros no corpo, transformar escanteios em ameaça existencial e lembrar que futebol de Copa também se decide na lama. Seus adversários talvez tenham mais brilho. Mas brilho, quando encontra pedra, às vezes só faz faísca. E se alguém perguntar como a Tchéquia chegou nessa Copa, a resposta já existe: no sofrimento, na insistência e na recusa absoluta em desaparecer.

Informações básicas

Técnico

Miroslav Koubek

Esquema tático

5-3-1-1

Ranking FIFA

43º

Últimos 10 jogos

República Tcheca x Dinamarca 2-2 (3-1 pen.) 2026-03-31 · Elim. Copa (Playoff Final) Fortuna Arena — Praga
República Tcheca x Irlanda 2-2 (4-3 pen.) 2026-03-26 · Elim. Copa (Playoff Semi) Fortuna Arena — Praga
República Tcheca x Gibraltar 6-0 2025-11-17 · Elim. Copa (Grupo L) Andrův Stadion — Olomouc
Croácia x República Tcheca 3-0 2025-11-14 · Elim. Copa (Grupo L) Stadion Maksimir — Zagreb
República Tcheca x Croácia 0-0 2025-10-14 · Elim. Copa (Grupo L) Eden Arena — Praga
Montenegro x República Tcheca 0-2 2025-10-11 · Elim. Copa (Grupo L) Pod Goricom — Podgorica
Ilhas Faroé x República Tcheca 2-1 2025-09-09 · Elim. Copa (Grupo L) Tórsvøllur — Tórshavn
República Tcheca x Montenegro 2-0 2025-09-06 · Elim. Copa (Grupo L) Eden Arena — Praga
Gibraltar x República Tcheca 0-4 2025-03-25 · Elim. Copa (Grupo L) Algarve Stadium — Faro (Portugal)
República Tcheca x Ilhas Faroé 2-1 2025-03-22 · Elim. Copa (Grupo L) Doosan Arena — Plzeň

Escalação provável

Escalação provável de Tchéquia
Convocados
Nome Posição Clube
Lukáš Horníček Goleiro Braga SC
Matěj Kovář Goleiro PSV Eindhoven
Jindřich Staněk Goleiro SK Slavia Praha
Vladimír Coufal Defensor TSG 1899 Hoffenheim
David Douděra Defensor SK Slavia Praha
Tomáš Holeš Defensor SK Slavia Praha
Robin Hranáč Defensor TSG 1899 Hoffenheim
Štěpán Chaloupek Defensor SK Slavia Praha
David Jurásek Defensor SK Slavia Praha
Ladislav Krejčí Defensor Wolverhampton Wanderers FC
Jaroslav Zelený Defensor AC Sparta Praha
David Zima Defensor SK Slavia Praha
Lukáš Červ Meia FC Viktoria Plzeň
Vladimír Darida Meia FC Hradec Králové
Lukáš Provod Meia SK Slavia Praha
Michal Sadílek Meia SK Slavia Praha
Hugo Sochůrek Meia AC Sparta Praha
Alexandr Sojka Meia FC Viktoria Plzeň
Tomáš Souček Meia West Ham United FC
Pavel Šulc Meia Olympique Lyon
Denis Višinský Meia FC Viktoria Plzeň
Adam Hložek Atacante TSG Hoffenheim 1899
Tomáš Chorý Atacante SK Slavia Praha
Mojmír Chytil Atacante SK Slavia Praha
Jan Kuchta Atacante AC Sparta Praha
Patrik Schick Atacante Bayer 04 Leverkusen
Observações

A convocação para os playoffs foi de 25 jogadores. Para o Mundial, a lista será ampliada para 26.

Adam Hložek (Hoffenheim) é candidato forte ao retorno se recuperar-se de lesão.

Souček foi destituído da braçadeira de capitão, assumida por Krejčí.

O professor +
Miroslav Koubek

Miroslav Koubek (74 anos)

Miroslav Koubek chega à Copa como um desses personagens que o futebol parece guardar para quando o roteiro precisa de rugas. Ex-goleiro, treinador desde os anos 1980 e homem de trajetória quase inteiramente doméstica, ele não tem a aura cosmopolita dos técnicos da moda, nem currículo montado para palestra de inovação. Tem outra coisa: estrada. Muita estrada. Daquelas que ensinam que, antes de falar em “modelo de jogo”, é bom garantir que o time saiba defender uma bola cruzada no segundo pau.

Koubek foi chamado em dezembro de 2025 para um serviço de emergência. A Tchéquia vinha ferida, com ambiente pesado, liderança questionada e a repescagem batendo à porta. Não havia tempo para revolução. Então ele fez o que treinadores veteranos costumam fazer quando o relógio é inimigo: simplificou. Reduziu ruídos, encurtou distâncias, protegeu a defesa e escolheu jogadores capazes de sustentar emocionalmente dois jogos de altíssima tensão. Nada muito instagramável. Funcionou.

Seu método é direto, quase seco. A equipe joga com linhas compactas, três zagueiros quando a ocasião pede, alas de fôlego, presença forte no meio e dois atacantes para atacar cruzamentos, rebotes e segundas bolas. Koubek não parece interessado em transformar a Tchéquia em laboratório. Prefere uma seleção que saiba exatamente onde pisar. O campo, para ele, não é uma tela em branco; é uma oficina. Cada jogador tem uma ferramenta, e quem não sabe usá-la fica no banco.

A personalidade também ajuda a explicar o impacto. Koubek não chega como amigo dos jogadores, mas como adulto na sala. Fala pouco para fora, escolhe palavras com cuidado e não teme decisões impopulares. A troca da braçadeira, a volta de veteranos, o uso de uma base local e a confiança em jogadores menos badalados mostram um técnico que valoriza hierarquia, comportamento e utilidade acima de reputação. Em uma seleção com pouco tempo de trabalho, isso pode valer mais do que qualquer desenho tático sofisticado.

O dilema é saber até onde esse pragmatismo leva. Em playoffs, ele foi perfeito: jogo curto, tensão máxima, margem pequena, pênaltis. Em Copa do Mundo, a amostra é outra. Serão três partidas com exigências diferentes, adversários de características variadas e pouco espaço para viver apenas de resistência. Contra o México, será preciso lidar com estádio e ambiente. Contra a Coreia do Sul, velocidade e transições. Contra a África do Sul, força física e imprevisibilidade. Koubek terá de decidir quando proteger e quando arriscar.

Sua Tchéquia não vai prometer futebol de seda. Vai prometer costura grossa, ponto firme e camisa difícil de rasgar. Para um treinador de 74 anos que assumiu no meio da tempestade e classificou o país em dois tiroteios de pênaltis, talvez seja exatamente esse o charme: Koubek não veio para reinventar o futebol tcheco. Veio para lembrá-lo de como se sobrevive.

Coreia do Sul

Coreia do Sul

A Coreia do Sul chega à Copa do Mundo de 2026 com uma regularidade que já virou patrimônio nacional: será sua 12ª participação no torneio e a 11ª consecutiva, sequência iniciada em 1986. Poucas seleções fora do eixo Europa-América do Sul podem apresentar uma constância parecida. Os Guerreiros Taegeuk não são visitantes ocasionais da Copa; são parte fixa da paisagem. A questão, agora, é outra: depois de tantos Mundiais, inclusive sendo sede de uma delas, a Coreia quer deixar de ser apenas presença confiável e voltar a ser uma ameaça real no mata-mata.

O torneio carrega um peso emocional evidente porque pode ser a última Copa de Son Heung-min. O maior jogador sul-coreano de sua geração deixou a Premier League em 2025 e foi para o LAFC, em uma mudança que também teve cheiro de planejamento: menos desgaste europeu, mais controle físico e um palco norte-americano perfeito para preparar o último grande ato com a seleção.

Mas o roteiro não é tão simples quanto “dar uma despedida bonita a Son”. A Coreia chega com uma geração interessante, talvez mais equilibrada tecnicamente do que algumas versões recentes, mas também com dúvidas grandes. Kim Min-jae é o alicerce defensivo, um zagueiro de elite que permite ao time defender mais alto e corrigir espaços que outros não alcançam. Lee Kang-in dá criatividade, pausa e canhota. Hwang Hee-chan oferece aceleração e agressividade. Hwang In-beom, Lee Jae-sung, Bae Jun-ho, Eom Ji-sung e Hong Hyun-seok dão opções a um meio-campo que já não depende apenas de pulmão e disciplina.

A classificação foi segura, mesmo sem brilho constante. A Coreia confirmou a vaga com uma vitória por 2 a 0 sobre o Iraque, em Basra. A campanha terminou invicta, com seis vitórias e quatro empates, depois do 4 a 0 sobre o Kuwait em Seul. Foi o tipo de campanha que mostra maturidade asiática, mas não necessariamente responde ao que virá no Mundial: uma coisa é controlar o caminho na AFC; outra é lidar com seleções fisicamente mais fortes, taticamente mais cínicas e tecnicamente mais afiadas.

Esse é o ponto sensível. A Coreia tem intensidade, organização e jogadores acostumados ao futebol europeu, mas ainda sofre quando encontra rivais que conseguem igualar seu ritmo e impor contato físico. Os amistosos de março foram um banho gelado. A derrota por 4 a 0 para a Costa do Marfim em Milton Keynes e o 1 a 0 para a Áustria em Viena expuseram problemas de proteção defensiva, criação e adaptação a adversários que atacam o corpo antes de atacar a bola. Problemas que o Brasil tinha exposto em outubro do ano passado.

A seleção se explica melhor quando olhamos para suas tensões internas. Son continua sendo o coração simbólico, mas o time não pode funcionar como uma homenagem em movimento. Lee Kang-in precisa assumir mais responsabilidade criativa. Kim Min-jae precisa liderar uma defesa que nem sempre se protege bem. Hwang Hee-chan precisa transformar energia em decisão. E Hong Myung-bo precisa decidir se insiste em um desenho mais conservador, com linha de cinco em alguns cenários, ou se devolve ao time uma estrutura mais natural em 4-2-3-1. A Coreia tem opções. O desafio é que opção demais, quando mal resolvida, vira névoa.

Há também uma camada cultural que o grande público costuma ignorar. O futebol sul-coreano vive em permanente comparação com seu próprio milagre de 2002. Aquela semifinal, em casa, foi tão gigantesca que virou bênção e maldição. Inspirou gerações, mas também criou uma régua quase injusta e falsa, já que ela ocorreu devido a erros bisonhos de arbitragem.

Desde então, a Coreia avançou às oitavas em 2010 e 2022, mas nunca voltou perto daquela vertigem. O país continua produzindo jogadores fortes, profissionais, competitivos, muitos deles exportados cedo para a Europa. Ainda assim, a sombra de 2002 está sempre ali, sentada na arquibancada, perguntando quando a próxima grande noite vai chegar.

No Grupo A, a Coreia entra em um cenário que parece equilibrado e, por isso mesmo, perigoso. A estreia contra a Tchéquia em Guadalajara pode ditar o tom da campanha: um duelo entre a velocidade coreana e o peso físico tcheco. Depois vem o México, também em Guadalajara, provavelmente em ambiente hostil e barulhento. A terceira rodada contra a África do Sul, em Monterrey, pode virar jogo de nervos, principalmente se a classificação ainda estiver aberta.

A Coreia do Sul é seleção de Copa, de camisa rodada, de jogadores disciplinados e competitivos. Mas sabemos que vai ser figurante, mesmo que avance de fase. Os Guerreiros Taegeuk chegam a 2026 carregando tradição, despedida e cobrança. Em uma Copa de 48 seleções, passar de fase é obrigação razoável. Fazer barulho exigirá mais. A Coreia já provou que sabe chegar ao Mundial. Agora precisa provar que ainda sabe assustar dentro dele sem ajuda de apito amigo.

Informações básicas

Técnico

Hong Myung-bo

Esquema tático

3-4-2-1

Ranking FIFA

25º

Últimos 10 jogos

Áustria x Coreia do Sul 1-0 2026-03-31 · Amistoso Ernst-Happel-Stadion — Viena
Coreia do Sul x Costa do Marfim 0-4 2026-03-28 · Amistoso Stadium MK — Milton Keynes (ING)
Coreia do Sul x Paraguai 2-0 2025-10-14 · Amistoso Seoul World Cup Stadium — Seul
Coreia do Sul x Brasil 0-5 2025-10-10 · Amistoso Seoul World Cup Stadium — Seul
México x Coreia do Sul 2-2 2025-09-09 · Amistoso Geodis Park — Nashville (EUA)
Estados Unidos x Coreia do Sul 0-2 2025-09-06 · Amistoso Sports Illustrated Stadium — Harrison (EUA)
Coreia do Sul x Kuwait 4-0 2025-06-10 · Elim. Copa (AFC) Seoul World Cup Stadium — Seul
Iraque x Coreia do Sul 0-2 2025-06-05 · Elim. Copa (AFC) Basra Sports City Stadium — Al-Başrah
Coreia do Sul x Jordânia 1-1 2025-03-25 · Elim. Copa (AFC) Suwon World Cup Stadium — Suwon
Coreia do Sul x Omã 1-1 2025-03-20 · Elim. Copa (AFC) Goyang Stadium — Goyang

Escalação provável

Escalação provável de Coreia do Sul
Convocados
Nome Posição Clube
Jo Hyun-woo Goleiro Ulsan HD
Kim Seung-gyu Goleiro FC Tokyo
Song Bum-keun Goleiro Jeonbuk Hyundai
Kim Min-jae Defensor Bayern de Munique
Cho Wi-je Defensor Jeonbuk Hyundai Motors
Lee Han-beom Defensor Midtjylland
Kim Tae-hyun Defensor Kashima Antlers
Park Jin-seop Defensor Zhejiang FC
Lee Ki-hyeok Defensor Gangwon FC
Lee Tae-seok Defensor Austria Vienna
Seol Young-woo Defensor Red Star Belgrade
Jens Castrop Defensor Borussia Mönchengladbach
Kim Moon-hwan Defensor Daejeon Hana
Yang Hyun-jun Meia Celtic
Paik Seung-ho Meia Birmingham City
Hwang In-beom Meia Feyenoord
Kim Jin-kyu Meia Jeonbuk Hyundai
Bae Jun-ho Meia Stoke City
Um Ji-sung Meia Swansea City
Hwang Hee-chan Meia Wolverhampton
Lee Dong-gyeong Meia Ulsan HD
Lee Jae-sung Meia Mainz
Lee Kang-in Meia Paris Saint-Germain
Oh Hyun-kyu Atacante Besiktas
Son Heung-min Atacante LA FC
Cho Kyu-sung Atacante Midtjylland
Observações

Hong Myung-bo anunciou que a lista final de 26 será divulgada em meados de maio.

O técnico sul-coreano vai viver sua segunda Copa do Mundo como treinador da seleção nacional, mas também já participou do torneio em outras funções: também já foi jogador, capitão e assistente técnico

A Coreia do Sul perdeu os dois amistosos de março (0-4 para Costa do Marfim e 0-1 para Áustria), o que acendeu alerta sobre ajustes táticos.

O professor +
Hong Myung-bo

Hong Myung-bo (57 anos)

Hong Myung-bo volta a uma Copa do Mundo como quem retorna a uma casa onde já foi celebrado e vaiado. Poucos personagens carregam tanto simbolismo no futebol sul-coreano. Como jogador, foi capitão da campanha de 2002, disputou quatro Copas e virou uma espécie de monumento vivo da geração que colocou a Coreia no centro do planeta. Como técnico, porém, sua relação com a seleção é menos limpa: comandou o país em 2014, no Brasil, e saiu depois de uma eliminação na fase de grupos que deixou cicatrizes.

Sua volta, em 2024, não foi exatamente recebida com flores. A KFA o trouxe para um segundo mandato depois da queda de Jürgen Klinsmann, encerrando uma busca turbulenta por treinador. A escolha gerou críticas, especialmente porque Hong estava no Ulsan HD, onde havia conquistado títulos nacionais, e parte da torcida enxergou o processo como pouco transparente. Meses depois, o Ministério dos Esportes da Coreia apontou que a federação havia violado regras internas nos processos de contratação de Hong e Klinsmann. Ou seja: Hong chegou para estabilizar uma seleção, mas entrou pela porta de uma crise institucional.

No campo, seu dilema é menos romântico e mais prático. Hong gosta de organização, compactação e transições rápidas, mas vem testando alternativas para proteger melhor a defesa e aproveitar a velocidade dos jogadores de frente. O 4-2-3-1 ainda é o desenho mais natural para acomodar Lee Kang-in, Son e Lee Jae-sung, mas a linha de três zagueiros apareceu como tentativa de dar mais segurança contra adversários fortes. O problema é que mudar a estrutura perto de uma Copa é como trocar pneu com o carro andando: pode salvar a viagem ou provocar o acidente.

A personalidade de Hong pesa no vestiário. Ele não é um técnico de frases exuberantes nem de teatralidade à beira do campo. Sua autoridade vem do currículo, do silêncio e da posição que ocupa na memória nacional. Isso pode ser trunfo, porque jogadores coreanos entendem perfeitamente quem está falando. Mas também pode virar armadilha: lendas, quando erram, não são tratadas apenas como técnicos. São julgadas como símbolos.

O maior desafio será equilibrar hierarquia e forma. Son ainda é o centro emocional da equipe, mas a Coreia precisa evitar a tentação de jogar para o passado. Lee Kang-in pede mais protagonismo. Hwang Hee-chan precisa recuperar regularidade. Bae Jun-ho, Eom Ji-sung, Yang Hyun-jun e outros nomes empurram a porta. Hong terá de decidir quem joga pelo que representa e quem joga pelo que entrega. Em Copa, gratidão não marca ponta.

Os amistosos de março aumentaram a pressão. Hong defendeu Son publicamente, chamando-o de “coração” da equipe, mas as derrotas para Costa do Marfim e Áustria deixaram claro que a Coreia não pode depender apenas da aura do capitão. O treinador precisa transformar uma seleção respeitável em uma equipe afiada. Essa é a diferença entre sair de grupo e fazer barulho.

Hong chega ao Mundial com uma missão dupla: corrigir sua própria história como treinador da seleção e dar à Coreia uma campanha digna de sua geração mais internacional. Não basta ser o capitão eterno de 2002. Em 2026, ele precisa provar que também sabe comandar quando a nostalgia não entra em campo.